quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ambiente Alfabetizador

Entrevista com Ana Teberosky


O que é um ambiente alfabetizador?
Ana Teberosky - É aquele em que há uma cultura letrada, com livros, textos digitais ou em papel, um mundo de escritos que circulam socialmente. A comunidade que usa a todo momento esses escritos, que faz circular as idéias que eles contêm, é chamada alfabetizadora.

Nós vivemos em uma comunidade alfabetizadora?
Ana Teberosky - Cada vez menos a sociedade auxilia a alfabetização por não promover situações públicas em que seja possível a circulação de escritos, debates, discussões e reuniões em que todos sintam necessidade e vontade de usar a palavra. O individualismo vai contra a formação de leitores e escritores. Há uma tese brasileira que mostra como os sindicatos, durante sua história, desenvolveram uma cultura alfabetizadora entre seus membros. Como os líderes tinham de convencer os filiados sobre determinadas teses, buscavam informações para embasar seus argumentos, levantavam questões e respondiam às apresentadas. Os sindicalizados, por seu lado, também precisavam ler documentos, participar de reuniões, colocar suas dúvidas e opiniões para decidir.

Quais atividades o professor alfabetizador deve realizar?
Ana Teberosky - Formar grupos menores para as crianças terem mais oportunidade de falar e ler para elas são estratégias fundamentais! É preciso compartilhar com a turma as características dos personagens, comentar e fazer com que todos falem sobre a história, pedir aos pequenos para recordar o enredo, elaborar questões e deixar que eles exponham as dúvidas. Se nos 200 dias letivos o professor das primeiras séries trabalhar um livro por semana, a classe terá tido contato com 35 ou 40 obras ao final de um ano.

É correto o professor escrever para os alunos quando eles ainda não estão alfabetizados?
Ana Teberosky - Sim. A atuação do escriba é um ponto bastante importante no processo de alfabetização. O estudante que dita para o professor já ouviu ou leu o texto, memorizou as principais informações que ele contém e com isso consegue elaborar uma linha de raciocínio. Ao ver o que disse escrito no quadro-negro, ele diferencia a linguagem escrita da falada, seleciona as melhores palavras e expressões, percebe a organização da escrita em linhas, a separação das palavras, o uso de outros símbolos, como os de pontuação. A criança vê o seu texto se concretizar.

O computador pode ajudar na alfabetização?
Ana Teberosky - O micro permite aprendizados interessantes. No teclado, por exemplo, estão todas as letras e símbolos que a língua oferece. Quando se ensina letra por letra, a criança acha que o alfabeto é infinito, porque aprende uma de cada vez. Com o teclado, ela tem noção de que as letras são poucas e finitas. Nas teclas elas são maiúsculas e, no monitor, minúsculas, o que obriga a realização de uma correspondência. Além disso, quando está no computador o estudante escreve com as duas mãos. Os recursos tecnológicos, no entanto, não substituem o texto manuscrito durante o processo de alfabetização, mas com certeza o complementam. Aqueles que acessam a internet lêem instruções ou notícias, escrevem e-mails e usam os mecanismos de busca. Ainda não sabemos quais serão as conseqüências cognitivas do uso do computador, mas com certeza ele exige muito da escrita e da leitura.

É possível alfabetizar em classes numerosas?
Ana Teberosky - Depende da quantidade de alunos. Em quatro horas de aula por dia com 40 crianças, é muito difícil e eu não saberia como fazer... Seria melhor se cada sala tivesse 20, 25. Em Barcelona, estamos experimentando os agrupamentos flexíveis, que misturam grupos de diferentes níveis, com 12 estudantes e com três ou quatro professores à disposição para orientação. Existem algumas possibilidades desde que haja contribuição da gestão pública.

"Acreditar que o aluno pode aprender é a melhor atitude de um professor para chegar a um resultado positivo"

edição 187 - nov/2005edição 187 - nov/2005

A criança ao ter contato com o material que faz o ambiente alfabetizador aprende mais rápido a ler e escrever, pois mesmo não sabendo ler, ja tem contato com os materiais de escrita.





A Escola


Escola é...,
O lugar onde se faz amigos
Não se trata só de prédios, salas, quadros,
Programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente,Gente que trabalha, que estuda,
Que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O coordenador é gente, o professor é gente,
O aluno é gente,
Cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
Na medida em que cada um
Se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de “ilha cercada por todos os lados”.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
Que não tem amizade a ninguém
Nada de ser como o tijolo que forma a parede,
Indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
É também criar laços de amizade,
É criar ambiente de camaradagem,
É conviver, é se “amarrar nela”!
Ora, é lógico...
Nunca escola assim vai ser fácil
Estudar, trabalhar, crescer,
Fazer amigos, educar-se,
Ser feliz.
De Paulo Freire


Educação e Vida


Construindo o ambiente alfabetizador

Construir um ambiente alfabetizador exige-se muita dedicação, inovação e criatividade do educador, para promover a aprendizagem dos alunos, e convivam com diversas formas de leitura e escrita.

Recortes, imagens de animais, os trabalhos feitos pelas as crianças poderão ser expostos em um mural na sala de aula.





O papel do professor é criar e manter um clima de pesquisas e descobertas.
Os alunos com suas descobertas saberão a importância de ler e escrever, e então darão início ao processo que fará deles, escritores e leitores competentes.










É importante que os materiais utilizados no ambiente alfabetizador, estejam ao alcance da criança, porque influi em seu interesse.






Quanto mais o aluno tem acesso à cultura escrita, maior será a construção de conhecimento sobre a língua.


Materiais ricos em cultura escrita como jornais, revista, livros e gibis, podem ser trabalhados como variados textos para o desenvolvimento do saber da criança.









Os que comunicam sem precisarem de linguagem como rótulos de produtos bem conhecidos, auxiliam na produção de textos individuais e coletivos.



Fonte:

Telma Weisz


A educadora critica os professores que insistem na cartilha para alfabetizar e diz que é preciso aprender a ensinar de outra forma.

Quando a criança tem a possibilidade de participar ou mesmo observar situações em que a escrita e sua linguagem específica estão presentes, ela vive num ambiente alfabetizador.
É preciso, no entanto, tomar cuidado com a expressão "ambiente alfabetizador". Muita gente, com a melhor das intenções, confunde a idéia. Não basta encher a classe com coisas escritas nas paredes. É muito mais do que isso.





O trabalho em grupo é essencial para estimular na criança a cooperação e solidariedade com os colegas, ocorre uma troca de conhecimento.








Fundamentações teóricas da concepção dos professores sobre o Ambiente Alfabetizador



Especialistas como Paulo Zimbers, arquiteto e consultor do Fundo de Fortalecimento da Escola (Fundescola), e Beatriz

Fedrizzi, paisagista formada em Agronomia, com mestrado e doutorado, especialista nas relações pátio-estudo estão realizando projetos para inovar o processo aprendizagem.

O pátio da escola um espaço para brincar e aprender, organizado, ele melhora a relação entre todos na escola, reduz a agressividade e a indisciplina dentro da classe. Sala de aula ao ar livre.
Alguns exemplos de como cada disciplina podem usar o pátio como ambiente alfabetizador:










Educação Física: Jogos, ginástica e esportes promovem a saúde e o desenvolvimento das habilidades motor.










Língua Portuguesa: Histórias podem ser lidas debaixo de árvores ou em um cantinho da leitura
Ao ar livre fica mais fácil promover debates e encontrar inspiração para escrever.











Matemática: Na horta, que tal anotar o número de sementes plantadas e conferir quantas de fato germinaram para ensinar porcentagem?
O chão pode ser usado para desenhar figuras geométricas e os muros e cercas, para estudar áreas e medidas.







Ciências naturais: É possível falar sobre o globo terrestre, o clima, as ciências físicas e biológicas. Um relógio de sol ensina o conceito de tempo e as estações do ano.















Artes: Folhas, galhos de árvores e terra podem ser facilmente usados como material artístico.
Incentive a criação de desenhos em superfícies lisas usando giz ou tinta.
PRÁTICA E TEORIA EM SALA DE AULA



Coordenador

Segundo Silvana Augusto, o papel do coordenador é “mais do que resolver problemas de emergências e explicar as dificuldades de relacionamento ou aprendizagem dos alunos, seu papel é ajudar na formação de professores”, “ele se faz cada vês mais necessário porque professores e alunos não se bastam”. A função primordial do coordenador é formar professores, para Silvana Augusto o coordenador precisa: - Dispor segundo certa ordem e método as ações que colaborem para o fortalecimento das relações entre a cultura e a escola; - Organizar o produto da reflexão dos professores, do planejamento, dos planos de ensino e da avaliação e da prática; - Arranjar as rotinas pedagógicas de acordo com os desejos e necessidades de todos e - Ligar e interligar pessoas, ampliando as ambientes de aprendizagem. “O coordenador centraliza as conquistas do grupo e assegura que as boas idéias tenham continuidade.” Desafios do coordenador pedagógico http://revistaescola.abril.com.br/


Entrevista um coordenador de Ensino Médio


1) Qual sua concepção sobre o Ambiente Alfabetizador?
R:
Ambiente Alfabetizador significa a sala de aula de maneira que cada parte ofereça materiais de maneira que cada parte ofereça materiais que favoreçam a aquisição de conhecimento; ex: alfabeto móvel e ilustrado (alfabeto da Xuxa), cantinho da leitura (folhetos, revista, jornais, gibis) cartazes fixados na parede (lista de palavras: animais, frutas, objetos, etc).
As crianças possuem diferentes preferenciais por uma atividade ou outra, cada crianças também tem um ritmo que lhe é próprio, ou seja, como ele se comporta com os itens relacionados acima, portanto é necessário que cada criança tenha materiais concretos para sua aprendizagem.

2) Como você auxilia os professores a estar sempre mudando o Ambiente Alfabetizador em sala de aula?
R:
A escola por ser do Ensino Fundamental ciclo II, são poucos os professores que utilizam os recursos didáticos para fazer um ambiente alfabetizador, porém os recursos mais utilizados são: folhetos de mercado, jornais, revistas e gibis, cabe ressaltar que cada professor tem sua didática e são poucos que estão propostos a tentar a fazer a diferença.

Ser Professor

É despertar a magia do saber
É abrir caminhos de esperança
É desvendar o mistério do cálculo da fala e da escrita
É criar o real desejo de ser.
É promover o saber universal
Especializar políticos, médicos, cientistas Técnicos, administradores, artistas...
É participar profundamente do crescimento social.
É trabalhar em grande mutirão lançando as primeiras frases que transformarão idéias em projetos
Executados em terra firme ou em imensidão.
É não se dar conta da amplitudede um trabalho que é MISSÃO
Mover o mundo através do operário ou presidente que um dia passou por sua MÃO.

Eudália Moreira de SampaioMoraújo



“O professor que faz uma escola de qualidade não pode ser um 'aplicador de atividades' ."
Débora Rana


O papel do professor é propor atividades que estimulem o aluno a pensar, refletir, e inventar, realizando tarefas com qualidades e não só quantidades.




Pra que a criança pense sobre a linguagem escrita é necessário que esteja presente na escola. Para apresenta-la é necessário respeitar a cultura da infância.

A argentina Emilia Ferreiro psicolinguista teve uma grande influência sobre a educação brasileira. Seus livros causaram impacto sobre a idéia de alfabetização no país e influenciou até mesmo as normas que estão nos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Suas pesquisas concentram o foco nos mecanismos cognitivos relacionados à leitura e à escrita, e agora tornou-se referência para o ensino brasileiro.
As idéias desenvolvidas por ela, justifica a presença do ambiente alfabetizador desde cedo (educação infantil).
"a simples presença do objeto não garante conhecimento, mas a ausência do objeto garante o desconhecimento. Se eu quero que a criança comece a construir conhecimento sobre a língua escrita, esta tem de existir . Se eu a proíbo, garanto que a criança não possa se fazer perguntas sobre esse objeto porque eu o fiz desaparecer dentro da sala de aula.
Se proíbo a língua escrita, crio um ambiente escolar no qual a escrita não tem nenhum lugar, ao passo que no ambiente urbano a escrita tem seu lugar; imponho que as educadoras funcionem como se não fossem pessoas alfabetizadas. Em outras palavras, crio uma situação anômala". palavras de E. Ferreiro
Leia mais:

Aluno

O aluno cria, questiona, interroga, participa ativamente.
É o indivíduo que se encontra na situação de alguém que tem objetivos de aprender o mundo;

Traz consigo um enorme arsenal de conhecimento, elaboração, valores inteligências, adquiridos antes de fase escolar;

Ser autônomo capaz de governar-se, reger-se por leis próprias, pensando e decidindo por si mesmo, refletindo discutindo, identificando e assumindo seus direitos e deveres.

O simples ato da leitura transforma a nossa forma de pensar e enriquece o nosso conhecimento, gerando uma capacidade imensurável de criar o inimaginável.
Thiago Henrique Miranda